Raça

RAÇA BRANGUS

HISTÓRICO
         Com quase cem anos de existência desde o início dos seus cruzamentos e mais de 50 anos oficialmente reconhecida, a raça Brangus está presente com seus criatórios em oito países do mundo. Todos são associados a International Brangus Breeder Association, que sediada no Texas, (EUA) foi a primeira organização a obter o reconhecimento e registro do Brangus como uma nova raça. As primeiras experiências que deram origem ao programa Brangus - cruzamentos entre o Angus e o Zebu - iniciaram no ano de 1912 no estado norte-americano de Louisiana. O objetivo era a criação de um animal que apresentasse altos índices de produtividade, mesmo criado em condições de clima e meio ambiente adversas, típicas das regiões tropicais e sub-tropicais. Em 1949, criadores de 16 estados americanos e do Canadá que estavam cruzando as duas raças se reuniram na cidade de Vinita, Oklahoma e fundaram no dia 29 de julho a American Brangus Breeders Association que mais tarde passou a se chamar de International Brangus Breeders Association. A partir daí a raça passou a ser reconhecida pelo governo norte-americano e canadense.
         A sede internacional do Brangus fica em San Antonio, Texas e o criatório está espalhado por quase todos os estados americanos. Outros países associados são o Canadá, México, Austrália, América Central, Argentina, Brasil e Rodésia.
         No Brasil as experiências de cruzamento começaram a ser realizados por técnicos do Ministério da Agricultura no município de Bagé (RS) na década de 40. Em 1955 como nascimento dos primeiros animais 3/8 Zebu e 5/8 Angus o experimento recebe a classificação de Trabalho Preferencial. A partir daí o criatório foi se desenvolvendo e no ano de 1978 a raça participa pela primeira vez na Exposição de Esteio - Expointer-. Em 1981 o Ministério da Agricultura reconhece oficialmente o Registro Genealógico da raça com o animal "Anú das Cinco Cruzes 547".

 

BRANGUS
A PERFEITA COMBINAÇÃO

         Brangus é uma raça sintética que combina na medida certa a rusticidade do Zebu com a qualidade carniceira (marmoreio) , a fertilidade e precocidade reconhecida do Angus.

         NA CRIA: A mãe Brangus e uma “fabrica de terneiros”.  Possui abundante produção de leite e por sua excelente habilidade materna tem baixos índices de mortalidade.
         NA INVERNADA: O novilho Brangus, por ser  5/8  de sangue europeu, suporta bem os meses frios conseguindo ganhos semelhantes as raças puras, e por sua tolerância ao calor e resistência a ectoparasítas, consegue ótimos ganhos de peso durante os meses quentes, enquanto outros diminuem seu ganho diário.
         VERSATILIDADE COMERCIAL: O novilho Brangus cobre perfeitamente tanto as necessidades do mercado de consumo interno, como as de demanda exportadora, assegurando uma correta terminação , sem excesso de gordura e com altos rendimentos de carne.
CARCAÇA: Os novilhos Brangus bem terminados, produzem carcaças de alta qualidade (ótima terminação, pouco osso e abundantes músculos), alcançando níveis de rendimentos de carcaça por  volta de 61%, superando a outras raças e outras cruzas em até 3 pontos.
         ALTOS RENDIMENTOS DE TRASEIRO: As reses de novilho Brangus produzem mais de 40% de rendimento de traseiro, zona de maior valor comercial, onde estão os valiosos cortes da cota “HILTON”.

         O QUE É UMA RAÇA SINTÉTICA :  As raças sintéticas se formam pelo cruzamento de duas ou mais raças e vão sendo aprimorados através da seleção.
         Respondem a uma concepção distinta com respeito as raças tradicionais, porque as raças sintéticas são criadas para dar uma resposta a novas necessidades de produção , de adaptação ou de mercado, e onde muitas vezes as gerações e retenções do vigor híbrido são importantes para a solução dos problemas existentes.
         Diferenciam-se das raças tradicionais ou puras, pois possui maior variabilidade genética porque somam as características das raças que lhe deram origem. Essa maior variabilidade, é compensada por seus níveis mais altos de produção, devido ao vigor híbrido que as raças sintéticas possuem.
         Também tem uma combinação dos caracteres desejáveis das raças originais, para satisfazer melhor os requerimentos globais de produção e do mercado (podem, por exemplo, unir aspectos tais como ADAPTAÇÃO, RUSTICIDADE, LONGEVIDADE, SUPERVIVÊNCIA, CONJUNTAMENTE COM PRECOCIDADE SEXUAL, BOM DESEMPENHO NA INVERNADA, CONFORMAÇÃO CARNICEIRA E QUALIDADE DE CARNE).

A FORMAÇÃO DA RAÇA BRANGUS:
         A formação do Brangus é uma tarefa mais custosa e complexa que sua utilização comercial para aumentar a produção de carne, razão pela qual é uma função própria para cabanheiros.
         Consiste em duas etapas básicas: a primeira é a realização de cruzamentos entre o Aberdeen Angus e o Zebú, até conseguir que os animais tenham as proporções desejadas de ambas as raças. No caso da raça Brangus, possui 5/8  de sangue Angus e 3/8 de sangue Zebú. A segunda etapa consiste em cruzar estes animais com grau de sangue definido, entre si para produzir gerações avançadas (segunda, terceira, quarta, etc...)
         Na primeira etapa é fundamental a seleção de reprodutores de alta qualidade de ambas as raças para  enraizar as bases produtivas de um bom Brangus. Na segunda é necessário um intenso processo seletivo aonde somente se retém, os animais que reúnam características de um bom tipo Brangus e com elevada produtividade. Ficam pelo caminho muitos animais úteis em um rodeio comercial, por não possuir todas as características de definição racial.
         Se a isso se agregar a necessidade de tatuar os terneiros, comunicar os serviços e nascimentos, e submeter os animais a inspeção para obter sua aprovação definitiva, se compreenderá que é uma tarefa para estâncias muito bem organizadas e com vocação para o mesmo.
         Diferente e muito mais fácil é o uso da raça Brangus na forma comercial com o objetivo de aumentar a renda da exploração desde um primeiro momento  e com o mínimo de complicação organizativa, e que consiste na utilização de cruzamentos absorventes ou industriais.

SELECIONANDO BRANGUS:
         É mais difícil ser cabanheiro de raças sintéticas que de raças tradicionais, porque na primeira tem-se que efetuar uma tarefa dobrada: estabilizar um novo biotipo, e ainda por cima selecioná-lo por produtividade, o que obriga a uma política de ‘refugos” muito mais intensa e portanto mais onerosa.
         O processo exige também maior nível de conhecimento pelo fato de combinar raças , as vezes muito diferentes em suas conformações e caracteres produtivos.
         Por isso se recomenda aos produtores comerciais a não utilizar seus rodeios para formar o BRANGUS, e sim que deixem a tarefa nas mão das cabanhas, e que a utilizem para aumentar a produtividade de seus rodeios mediante cruzamentos tanto de absorção como  para produção industrial.

A COMPOSIÇÃO GENÉTICA DO BRANGUS:
         O Brangus está composto por uma combinação da raça  Aberdeen Angus (de pelagem preta ou vermelha) e as indicas Brahma, Nelore e ocasionalmente o Tabapuã.
         O êxito de uma raça sintética depende do acerto na eleição das raças que lhe dão origem e também a qualidade dos animais utilizados. Além disso, para que se obtenha um verdadeiro impacto na produção nacional ou regional , é necessário forma-la com raças originárias que possuam muitos ventres, para que uma quantidade importante de touros e fêmeas cruzas retornem massiva e rapidamente a produção.
         Na formação do Brangus , era evidente que o Aberdeen Angus cumpria com sobras a condição de raça numerosa, ao que somada a suas qualidades como raça produtora de carne de qualidade por excelência e suas condições de alta eficiência de produção (fertilidade, conformação carniceira, precocidade de engorde, precocidade sexual, qualidade de carne, etc....)
         O Zebu de tipo carniceiro foi incorporado como elemento essencial de adaptação a região subtropical, agregando resistência a parasitas, rusticidade, tolerância ao calor, etc...
         A raça Brahman aporta um maior tipo carniceiro e capacidade de crescimento, o Nelore uma alta fertilidade ,eficiência funcional e adaptação as diversas regiões do Brasil com a opção da variedade mocha muito útil para manter este que é um caráter próprio do BRANGUS. E o Tabapuã, que é uma raça mocha selecionada por muitos anos no Brasil para a produção de carne.
         A combinação do Zebú com as raças britânicas geram aproximadamente duas vezes mais vigor híbrido que quando se cruzam estas ultimas entre si. Este vigor híbrido se reflete em um incremento de supervivência de embriões e terneiros, na porcentagens de prenhes e desmame, na produção de leite, no peso no desmame, na capacidade de crescimento do terneiro ao pé da mãe e durante a recria e o engorde, e na capacidade de manter um estado físico geral superior . Também uma notória diminuição dos terneiros aguachados ou colas de desmame.
         Esta combinação também gera uma enorme capacidade de adaptação da raça aos mais diversos climas, regiões (e suas variáveis de solo) e tipos de exploração pecuária existentes em nosso pais. Sendo recomendada sua utilização desde o sul até o norte do Brasil.

POR TUDO ISSO QUE A RAÇA BRANGUS É CONHECIDA COMO "A RAÇA FORTE"
         O rebanho nacional teve uma expansão muito forte no final da década de 90, com a explosão nacional dos cruzamentos. Entretanto, por desinformação sobre cruzamentos e por uma campanha muito forte por parte dos “nelorista”, a raça parou de crescer nos últimos anos . Já neste ano de 2005, com a necessidade de produzir carne de qualidade, por exigência do mercado, os produtores se viram obrigados a retornar a cruzar o nelore preferencialmente com a raça Aberdeen Angus (reconhecida mundialmente como a melhor carne do mundo e é a raça que possui maior complementaridade com as zebuínas). Depois do primeiro cruzamento, a fêmea ½ sangue passa a ser um problema pois o criador não sabe para que lado sair e seu rodeis de cria passam a ser uma miscelânea de tipos e de raças. O criador inteligente opta por utilizar a Raça Brangus, por manter todas as qualidades descritas acima e principalmente facilitar manejo e UNIFORMIZAR sua produção em um gado com ótima qualidade de carne, fertilidade, facilidade de terminação sem perder a rusticidade tão importante em nossos sistemas de criação. 
         Os programas de melhoramento genéticos são a principal ferramenta para que tem a pretensão de fazer genética, ou seja, selecionar buscando animais melhoradores. O “OLHO” ainda é uma ótima ferramenta de seleção mas só vamos ter certeza de nossas escolhas quando estes animais são respaldados por “NUMEROS” que expressem seu potencial de ganho de peso, precocidade, conformação e musculatura.
         Hoje existem inúmeros programas de Melhoramento que avaliam a raça Brangus onde podemos dizer que o NATURA talvez seja o mais importante pelo seu numero de animais avaliados. Também temos o PROMEBO, a EMBRAPA e a USP.  A raça Brangus tomou como premissa numero um que seus animais sejam avaliados geneticamente, pois e a única forma de garantir que estão sendo selecionados os melhores animais e garantir a evolução do rodeio nacional.

 

 

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